Rádio TV Papo Aberto

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Vozes da USP: A Realidade da Greve Estudantil e a Resistência Após a Desocupação da Reitoria

 No último dia 12 de maio, conversamos em uma transmissão ao vivo com Ana Paula, estudante do 7º semestre de Letras na Universidade de São Paulo (USP) e militante do coletivo Rebeldia e do PSTU. Ana Paula esteve na linha de frente da recente ocupação do prédio da reitoria e compartilhou conosco os bastidores do movimento estudantil, a precarização vivida no campus e os detalhes da truculenta ação policial ocorrida na madrugada do Dia das Mães.



Por que os estudantes da USP fazem greve?

Para quem acompanha de fora, a pergunta "por que estudante faz greve?" é comum. Ana Paula resgata o papel histórico do movimento estudantil brasileiro desde a ditadura militar e pontua que o perfil das universidades públicas mudou graças às cotas. Hoje, a maior parte dos estudantes que se mobilizam precisa conciliar os estudos com o trabalho em São Paulo, uma das cidades mais caras do país.

A principal bandeira da atual paralisação é a permanência estudantil. Atualmente, o Programa de Apoio à Permanência Estudantil (PAPE) oferece um auxílio de R$ 885 — valor que a reitoria tentou reajustar em irrisórios R$ 27 para o auxílio integral e R$ 5 para quem reside no campus, o que os estudantes consideraram um deboche. O movimento exige que o benefício seja equiparado ao salário mínimo paulista, algo financeiramente viável visto que a USP é a estadual paulista que recebe o maior repasse de verbas do governo, superando a Unicamp e a Unesp (onde os auxílios chegam a R$ 1.100 e R$ 1.200, respectivamente).

O Sucateamento e a Realidade dos Campi

A estudante relatou que a infraestrutura voltada para os alunos de humanas e para a moradia estudantil (CRUSP) está sufocada. Enquanto os prédios da própria reitoria ostentam ótimas condições, os blocos dos estudantes enfrentam problemas crônicos como:

  • Prédios caindo aos pedaços, infiltrações e mofo.

  • Fiação exposta e problemas elétricos.

  • Falta de água recorrente (o campus chegou a ficar uma semana sem água após a privatização da Sabesp).

  • Falta de contratação e reposição de professores.

Outro ponto crítico são os Restaurantes Universitários (bandejões). Dos restaurantes do campus Butantã, quase todos foram privatizados, resultando em precarização do trabalho dos funcionários e queda drástica na qualidade da comida, com relatos recentes de larvas e mofo nas refeições. Uma das pautas da greve é a estatização desses serviços. Além disso, o movimento cobra demandas históricas como a implementação de cotas trans e o vestibular indígena.

A Ocupação e o Conflito na Madrugada do Dia das Mães

A ocupação do prédio da reitoria começou na quinta-feira, 7 de maio, como uma resposta direta ao fechamento arbitrário dos canais de diálogo por parte do reitor. Segundo Ana Paula, os estudantes se organizaram de forma democrática através de Grupos de Trabalho (GTs) para cuidar da limpeza, segurança, alimentação e cultura do espaço.

O cenário mudou drasticamente na madrugada de sábado para domingo. Sem que houvesse uma ordem judicial formal de reintegração de posse emitida pela universidade, a Polícia Militar invadiu o local por volta das 4h da manhã.

"Assim que saí da barraca, vi que foi formado um corredor polonês de policiais com cassetetes, bombas e gás lacrimogênio para reprimir os estudantes que estavam saindo. Eles iam batendo com o cacetete e xingando", relatou Ana Paula.

Apesar de órgãos oficiais declararem que não houve feridos, a estudante desmentiu a versão: dezenas de alunos precisaram de atendimento médico, incluindo uma jovem que teve o braço quebrado, um estudante com o nariz aberto e outro com o pulso luxado. Quatro estudantes foram detidos no ato e encaminhados ao 7º DP na Lapa, sendo liberados horas depois após pressão dos advogados e do movimento que se concentrou na porta da delegacia.

O efeito reverso: A mobilização ganha força

A violência policial, que para muitos professores ecoou os "tempos sombrios da ditadura militar", acabou gerando o efeito oposto ao desejado pelas autoridades. Em vez de recuar, o movimento estudantil ganhou ainda mais apoio popular e unificação.

Na segunda-feira subsequente, um ato massivo partiu da Praça da República em direção à Faculdade de Medicina da USP. Mesmo diante de provocações de figuras de extrema-direita no início da manifestação e do uso de spray de pimenta pela polícia, milhares de pessoas marcharam unificando a voz dos estudantes com a dos professores municipais e trabalhadores metroviários.

O que vem pela frente?

A greve da USP continua por tempo indeterminado, sendo avaliada dia a dia através das assembleias de base. O próximo grande marco do calendário está agendado para o dia 20 de maio, com um ato unificado das três universidades estaduais (USP, Unicamp e Unesp) que sairá do Largo da Batata em direção ao Palácio dos Bandeirantes, protestando contra o projeto de precarização e privatizações do governo estadual.

Para acompanhar as atualizações oficiais do movimento, os estudantes disponibilizam as redes do DCE Livre da USP (@dceusp) e do coletivo Rebeldia (@rebeldiasp).


Confira a entrevista completa e todos os detalhes do relato no canal do YouTube TV Papo Aberto.

O Fim de uma Era no Dial de SP: Entenda a "Dança das Cadeiras" entre Bandeirantes e Eldorado FM

 O rádio paulistano está passando por uma das maiores reconfigurações de sua história. Se você sintoniza o seu aparelho na Grande São Paulo, já deve ter percebido que o dial mudou.

A mudança envolve o Grupo Bandeirantes, o Grupo Estado e a Fundação Brasil 2000, e altera de forma definitiva a maneira como consumimos duas das marcas mais tradicionais do rádio brasileiro.


Por que a troca de frequências aconteceu?

Tudo começou com um desafio técnico da Rádio Bandeirantes. Ao migrar de sua antiga sintonia AM (840 kHz), a emissora passou a operar em 86.3 FM. O problema? Essa é a chamada "faixa estendida".

O Problema: Muitos aparelhos de som antigos e sistemas automotivos não conseguem sintonizar frequências abaixo de 88.1 FM, limitando drasticamente o alcance da audiência.

Para resolver isso, o Grupo Bandeirantes realizou um acordo de "inversão de outorgas" com a Fundação Brasil 2000 (proprietária da frequência 107.3 FM). Na prática:

  • A concessão comercial da Bandeirantes foi para os 107.3 FM.

  • A concessão educativa da fundação moveu-se para os 86.3 FM.


O Adeus da Eldorado FM ao Dial Físico

A consequência mais impactante para os amantes de música foi o fim das transmissões físicas da Rádio Eldorado FM nos 107.3 FM.

Após quase 70 anos de história no rádio tradicional, o Grupo Estado tomou uma decisão estratégica: em vez de buscar uma nova frequência física (o que envolveria custos altíssimos), a emissora focará 100% no ambiente digital.


📍 Onde ouvir suas emissoras favoritas agora?

Se você é ouvinte assíduo, confira o guia rápido para não se perder na sintonia:

1. Bandeirantes (Agora em 107.3 FM)

A emissora agora ocupa uma frequência de longo alcance na Grande São Paulo. Uma curiosidade: a marca deixou de usar a palavra "rádio", passando a se chamar apenas Bandeirantes.

  • Na Grande SP: Sintonize 107.3 FM.

  • No Interior e Litoral: As transmissões em 90.9 FM foram encerradas. O acesso agora é digital via app Bandplay, YouTube ou agregadores (como RadiosNet).

2. Eldorado (100% Digital)

A Eldorado não acabou; ela se transformou. A curadoria musical e programas como o Som a Pino seguem vivos na internet.

  • Como ouvir: Site oficial da Rádio Eldorado, aplicativo próprio ou plataformas de streaming de áudio e podcasts.


Conclusão:

O rádio de São Paulo se despede de um formato clássico, mas abre espaço para a consolidação definitiva das plataformas digitais. É o fim de uma era no dial, mas o início de uma nova jornada conectada.

E você, já adaptou seu rádio ou migrou de vez para o streaming?

domingo, 3 de maio de 2026

Alexandre Gomes: Entre Ondas, Microfones e a Coragem de se Revelar em "Juízo, Nação..."

 No dia 09 de abril de 2026, o TV Papo Aberto teve a honra de receber uma das vozes mais icônicas do rádio brasileiro: Alexandre Gomes. Em uma conversa franca e emocionante com Rubens Andrade e Betão, o locutor da Kiss FM abriu o jogo sobre sua trajetória de mais de 30 anos, os desafios da docência e o lançamento de seu projeto mais pessoal até hoje: o livro autobiográfico "Juízo, Nação... A Vida Não Parou, Nem Eu...".

O Homem por Trás da Voz

Conhecido pelos ouvintes da Kiss FM como o dono do bordão "É isso aí, Nação!", Alexandre revelou que sua entrada no rádio foi quase fruto do destino. De vendedor em corredores de supermercado a locutor em grandes emissoras como Nativa, Mix e SBT, sua jornada é uma lição de persistência.

Um dos momentos mais curiosos da entrevista foi a recordação de como ele "salvou" uma pauta na Rede TV ao conseguir uma declaração exclusiva de Bono Vox (U2) na porta de um hotel, mesmo sem dominar o inglês na época. 

A Terapia e a Escrita: "Pelado em Praça Pública"

O grande destaque da conversa foi o processo de criação de sua autobiografia. Alexandre compartilhou que o livro nasceu de 10 anos de terapia. Escrever sobre passagens dolorosas, como o suicídio de seu pai quando ainda era criança, foi um exercício de vulnerabilidade extrema.

"Colocar a vida no papel é se expor; é estar pelado em praça pública", desabafou Alexandre. 

O livro não é apenas uma história de vida, mas um registro cronológico de superação, passando pelo serviço na Força Aérea até a estabilização como um dos grandes nomes do rádio e professor no Senac.

O Papel de Educador

Como professor de locução, Alexandre destacou a importância da sensibilidade. Para ele, ser professor é "apontar o caminho" para que o aluno se transforme. Ele enfatizou que o rádio exige maturidade e que o curso não é apenas sobre falar, mas sobre aprender a se escutar

Lançamento e Próximos Passos

Devido a questões estruturais na rádio, o evento de lançamento e tarde de autógrafos foi reprogramado para o dia 09 de maio de 2026, às 15:30, na sede da Kiss FM (Av. Paulista, 2200). O evento será exclusivo para os compradores da "Lista VIP", mas o autor garantiu que novas tiragens e versões digitais (Amazon) estarão disponíveis em breve.


Assista à entrevista completa no vídeo abaixo:

Link para o vídeo no YouTube

Gostou da trajetória do Alexandre? Deixe seu comentário abaixo e compartilhe sua memória favorita ouvindo a "Nação" no rádio!

sábado, 2 de maio de 2026

Justiça ou Silenciamento? Zé Maria do PSTU analisa condenação e os limites da crítica política

 No último dia 30 de abril, véspera do Dia do Trabalhador, a TV Papo Aberto recebeu o presidente nacional do PSTU e figura histórica do movimento sindical, Zé Maria de Almeida. Em uma conversa franca e necessária, discutimos a recente decisão da 4ª Vara Criminal de São Paulo, que o condenou e
m primeira instância por um discurso realizado na Avenida Paulista em 2023.



O Ponto Central: Antissionismo vs. Antissemitismo

A condenação, que repercutiu nacionalmente, baseia-se na interpretação de falas de Zé Maria sobre o conflito no Oriente Médio. Durante a live, o líder político enfatizou que a sentença carece de fundamento histórico e legal ao confundir deliberadamente a crítica ao Estado de Israel (antissionismo) com o preconceito contra o povo judeu (antissemitismo).

"Não mudaria nenhuma vírgula do que disse. São conceitos consolidados. O que houve foi uma decisão política para tentar calar vozes que defendem o povo palestino e criticam o genocídio em curso", afirmou Zé Maria durante a entrevista.

Um Precedente Perigoso

O debate também abordou os riscos que essa decisão impõe à democracia brasileira. Para Zé Maria e para a professora Flávia, que se juntou ao bate-papo, não se trata de um caso isolado, mas de uma ofensiva que busca criminalizar lideranças e movimentos sociais. Foi citado, inclusive, o projeto de lei que tramita no Congresso e que visa equiparar juridicamente as críticas ao Estado de Israel ao crime de racismo.

Mobilização e Solidariedade Internacional

A professora Flávia trouxe atualizações urgentes sobre a "Flotilha da Liberdade", relatando o sequestro de ativistas — incluindo brasileiros — pelo exército israelense em águas internacionais. O episódio reforça o clima de tensão e a necessidade, segundo os convidados, de manter a mobilização popular nas ruas.

Próximos Passos

A defesa de Zé Maria confirmou que recorrerá ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), reafirmando que o direito à livre expressão é garantido pela Constituição Brasileira. Além da batalha jurídica, o partido promete intensificar as denúncias políticas para evitar que o silenciamento se torne a regra.


Assista à entrevista completa no canal da TV Papo Aberto: CLIQUE AQUI PARA ASSISTIR

Vozes da USP: A Realidade da Greve Estudantil e a Resistência Após a Desocupação da Reitoria

  No último dia 12 de maio, conversamos em uma transmissão ao vivo com Ana Paula, estudante do 7º semestre de Letras na Universidade de São ...