No dia 18 de fevereiro de 2026, recebemos no Papo Aberto a Professora Flávia Bischaim, socióloga e militante, para um debate necessário e urgente sobre o estado da educação pública paulista. O cenário descrito é de um projeto em curso que, sob o manto da "modernização", esconde o desmonte de direitos e a precarização do ensino.
40 Mil Professores Sem Aulas: A Crise da Atribuição
Um dos dados mais chocantes trazidos pela Professora Flávia é o número de professores da rede estadual que iniciaram o ano sem atribuição de aulas. Mesmo após a realização de concursos, muitos profissionais aprovados não foram chamados, enquanto professores temporários enfrentam processos de avaliação subjetivos (o chamado "farol de desempenho") que resultam em exclusões injustas do sistema.
O "Laboratório" de Renato Feder e Tarcísio de Freitas
A gestão atual, liderada pelo secretário Renato Feder, é criticada por tratar a educação como uma empresa. Flávia destaca que as escolas estão sendo transformadas em "laboratórios a céu aberto", onde alunos e professores são cobaias de tecnologias digitais que:
Substituem a autonomia docente: O professor passa a ser um mero executor de tarefas de plataformas privadas.
Focam em metas, não em aprendizagem: O objetivo central tornou-se bater índices em avaliações externas, muitas vezes através do treinamento mecânico dos estudantes.
Geram adoecimento: A pressão por metas e o monitoramento constante têm levado a categoria a níveis alarmantes de estresse e frustração.
O Fim do Ensino Noturno e o Impacto na Periferia
Outro ponto crítico é o fechamento de salas de ensino médio no período noturno. Para o estudante trabalhador da periferia, isso representa uma barreira quase intransponível ao direito de estudar. A alternativa proposta pelo governo — o EJA à distância com turmas superlotadas — ignora as dificuldades de acesso e a necessidade de mediação presencial para quem já enfrenta uma rotina exaustiva.
Militarização e Privatização: Para Quem é o Lucro?
O debate também passou pelo polêmico projeto das escolas cívico-militares. Para Flávia, trata-se de um projeto autoritário que desvia verbas da educação para a segurança pública, pagando bônus a militares reformados enquanto o professor recebe um vale-alimentação irrisório (apenas R$ 12 por dia trabalhado). Além disso, não há comprovação de ganhos pedagógicos; pelo contrário, há relatos de pressões para que alunos "com dificuldades" deixem essas unidades para não prejudicar os índices da escola.
A Luta Continua: Mobilização em Março
O programa encerrou-se com um chamado à ação. No dia 6 de março, haverá uma grande mobilização em São Paulo, com assembleia no MASP e caminhada até a Secretaria da Educação na Praça da República. É um momento de união entre professores, pais e alunos para dizer não ao leilão das nossas escolas na bolsa de valores e sim a uma educação pública, gratuita e de qualidade.
Assista à entrevista completa no nosso canal:
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